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Diálogo de surdos
Já estamos na metade de fevereiro e a impressão é a de que 2015 ainda não terminou e 2016 não começou. No campo da política e da economia,
a pauta é rigorosamente a mesma do final do ano passado: no Palácio do Planalto, a preocupação central é com o impeachment e a preservação do
mandato presidencial; no Congresso Nacional, o foco é no futuro do presidente da Câmara dos Deputados, acossado por acusações graves,
que exigem esclarecimentos profundos e urgentes. No mundo político a expectativa generalizada com os muitos “lava-jatos” imobiliza a todos.

Editado/publicado em 18/02/16

É, com certeza, uma pauta que definitivamente não agrada a população, cuja prioridade é a retomada do crescimento econômico. Afinal, é a produção que fornece recursos para o financiamento de programas sociais e econômicos, bem como gera oportunidades de trabalho fundamentais neste momento em que o desemprego começa a explodir. As lideranças políticas parecem não ouvir o clamor das ruas e se perdem em um debate estéril que mais se assemelha a um diálogo de surdos.

Embora diga o contrário, parece que a única preocupação do governo é fazer do aumento dos impostos já existentes, da recriação de outros e de despesas desnecessárias, na maioria das vezes justificadas apenas pelos “carimbos” que vêm da Constituição de 1988 e outras leis ordinárias. Por isso mesmo, gasta-se cada vez mais e quase sempre muito mal.

Restritas até agora ao discurso vazio, sem o mínimo de objetividade, e já perdido o “timing” correto, as medidas fundamentais anunciadas pelo governo – como as reformas da Previdência e das relações trabalhistas – não passam de discurso para enganar incautos. A chamada base aliada, de olho nas eleições municipais deste ano e também nas presidenciais de 2018, rejeita tudo – não quer saber de medidas tidas como impopulares, mas que são “fundamentais” para o país. A oposição, que também é responsável pela governabilidade do país, observa, torce e aguarda o momento de retomar o poder – e, sempre que pode, dá suas cotoveladas.

É, de fato, uma conversa de surdos, onde todos falam muito e ninguém ouve ninguém. É hora de mudar – aliás, já passou muito da hora de mudar. O Brasil não é uma capitania hereditária concedida por “El Rey” aos presidentes da República e das duas casas do Congresso Nacional – Câmara dos Deputados e Senado Federal. O Brasil pertence ao povo brasileiro, que manifesta o seu repúdio contra o “status quo” – como indicam os índices de abstenção e votos nulos das eleições de 2014.

O povo exige mudanças e indica caminhos absolutamente diferentes dos atuais. O caminho que a população propõe, e pelo qual luta, é o do compromisso com valores éticos e com o Brasil. A sinalização é a de que precisamos – “URGENTEMENTE” – eleger uma “Assembleia Constituinte Exclusiva”. Essa é a melhor solução – e talvez seja a única. Exclusiva, pois quem dela participar deve ficar automaticamente afastado da política e cargos públicos por pelo menos 10 anos. Uma “constituinte”, porque a realidade mostra que nossos deputados e senadores, assim como o Executivo, não farão as mudanças que o Brasil e os brasileiros exigem.

Não farão a reforma política por entenderem, fisiológica e corporativamente, que a abordagem séria de questões como fidelidade partidária, cláusula de barreira e financiamento de campanhas, podem prejudicá-los em eleições futuras. Também não farão, pelas mesmas razões, as reformas da Previdência e das relações trabalhistas, mesmo sabendo que, dentro de muito pouco tempo, não haverá dinheiro para pagar aposentadorias e outros benefícios sociais, como já está acontecendo em muitos países da Europa. Assim fazem, mesmo sabendo que a obsolescência da legislação trabalhista funciona como poderoso abortivo de geração de empregos.

O Brasil e os brasileiros têm pressa – o sentido de urgência é cada vez mais forte. Assim como estamos perdendo a guerra para o mosquito-da-dengue, também estamos perdendo na economia, com o PIB em baixa, inflação a caminho do descontrole, juros extorsivos e desemprego em alta, penalizando principalmente a juventude brasileira entre 18 e 24 anos.

Às vésperas das eleições municipais, a maioria esmagadora das nossas cidades, inclusive capitais, está quebrada – e é nas cidades, sabemos todos, que as pessoas vivem – quem vive em Brasília são os poderosos – as autoridades. Se não houver uma nova constituinte, não haverá a revisão do sistema federalista, pois o governo central não admite dividir a arrecadação de impostos e taxas com estados e municípios.

No Brasil, costuma-se dizer que o ano só começa depois do carnaval. Pois muito bem, acabou nesta terça-feira gorda. É hora de trabalhar, com compromisso com o Brasil e com as aspirações e exigências dos brasileiros. E que cada um tenha a capacidade e a humildade de ouvir e entender a voz da população.

"Acabou o carnaval. É hora de trabalhar, com compromisso com o Brasil e com as aspirações e exigências dos brasileiros"

Fonte: Palavra do Presidente - por Olavo Machado Junior - Sistema FIEMG


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